"Já se levanta o sol no horizonte e, nos valados canta a cotovia, a cotovia ... voam em bandos a beber na fonte. E ao longe, ao longe, o sino anuncia o dia. E paira no ar uma voz que chama do fundo do tempo Ibn Mucana. Com ele aprendi a grande verdade, que o mais importante é a liberdade!" Ivone Rosa (extrato do hino da escola)
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Dia Mundial da Poesia II
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Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Dia Mundial da Poesia I
ars poetica
trabalhar o mundo, as relações de vizinhança
entre os seres e as coisas, no intervalo exacto
da sua infelicidade constritiva. encontrar o que te leva
a dar essa ênfase à palavra, ou a tirar-lha,
sempre que o sintas oportuno, calibrando-a
em nome do que leste, de quem amas,
de quem te desespera, de uma experiência única
no emaranhar das sombras e das vozes.
e técnica, técnica até ao sarro do silêncio e do ruído
assim porás a nu o que a própria nudez
por si não tem, a menos que, sofrendo,
lho acrescentes. a poesia revela inesperados
desencontros e neles poderás modular-te,
falar das tuas ilusões, do que te falta até ao osso.
nem outra coisa é o desengano: simular
uma ordem entrevista e sustentá-la
in absentia ou no luto. vem a dar ao mesmo.
o âmago do poema é o seu mecanismo
e o seu mecanismo só tu podes inventá-lo
e pô-lo a funcionar para que alguém
nele se reonheça e também faça
do interior do poema a sua casa,
encontre nela o seu espaço, meça
por ela o seu tempo, guarde
nela contigo o coração doente.
Vasco Graça Moura
da sua infelicidade constritiva. encontrar o que te leva
a dar essa ênfase à palavra, ou a tirar-lha,
sempre que o sintas oportuno, calibrando-a
em nome do que leste, de quem amas,
de quem te desespera, de uma experiência única
no emaranhar das sombras e das vozes.
e técnica, técnica até ao sarro do silêncio e do ruído
assim porás a nu o que a própria nudez
por si não tem, a menos que, sofrendo,
lho acrescentes. a poesia revela inesperados
desencontros e neles poderás modular-te,
falar das tuas ilusões, do que te falta até ao osso.
nem outra coisa é o desengano: simular
uma ordem entrevista e sustentá-la
in absentia ou no luto. vem a dar ao mesmo.
o âmago do poema é o seu mecanismo
e o seu mecanismo só tu podes inventá-lo
e pô-lo a funcionar para que alguém
nele se reonheça e também faça
do interior do poema a sua casa,
encontre nela o seu espaço, meça
por ela o seu tempo, guarde
nela contigo o coração doente.
Vasco Graça Moura
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